Plano de carreira em 90 dias — o esqueleto que o agente segue
Por que 90 dias é o tamanho certo do ciclo, e como o agente conduz você do diagnóstico ao primeiro OKR fechado — semana a semana, sem improviso.
por Ciro Cesar Maciel · 2026-05-10 · 5 min de leitura
Plano de carreira anual é folclore. Janeiro você escreve metas com 12 itens; em março já mudou de prioridade; em julho a planilha tá esquecida e você jura que ano que vem é diferente. 90 dias é o tamanho honesto do ciclo — curto o suficiente pra forçar foco, longo o suficiente pra mostrar resultado.
Doerr (📖 Avalie o que Importa) trouxe OKR pro Google em 1999 e a janela trimestral virou padrão da indústria por um motivo: trimestre é o horizonte onde o esforço cabe na cabeça. Mais do que isso, você esquece. Menos, você não consegue mover métricas que importam.
O esqueleto, semana a semana
O agente segue um esqueleto de 13 semanas. Não é rígido — você pode pular partes, voltar atrás, pivotar — mas é o ponto de partida.
Semana 0 — Diagnóstico (antes do trimestre começar)
Uma sessão de descoberta de âncora (~20 min, via chat). Você sai com uma das 8 âncoras de Schein (📖 Career Anchors) dominante e uma secundária. Esse artefato vira referência permanente — sua âncora não muda toda semana, ela revisita-se a cada 3–5 anos.
Sem essa peça, todo o resto é chute. Direção sem diagnóstico é tiro no escuro.
Semana 1 — BHAG + OKR aberto
Você define ou refina a BHAG (visão de 10–15 anos, Collins · 📖 Feitas para Durar) e desenha 1 a 2 OKRs trimestrais. O agente critica seus rascunhos — sem ser bonzinho — com base em três critérios: objetivo qualitativo e ambicioso, 3–5 KRs medíveis com número e prazo, conexão visível com a BHAG.
Saída da semana 1: OKR escrito em markdown, no seu perfil, com data ISO.
Semanas 2 a 12 — Weekly review sexta 17h
O ritual de 30–60 min que faz o resto funcionar:
- Clear — esvazia a cabeça. Inbox zero antes de qualquer análise.
- Métricas — números crus da semana: horas de deep work, % avanço nos KRs, sono, sequência Anki, contatos novos.
- AAR — 4 perguntas. O que era esperado, o que aconteceu, por que houve diferença, o que muda.
- Decidir — por vetor (skill, rede, marca, saúde, capital): DOBRAR / REFINAR / MATAR / MANTER.
- Planejar — top 3 da semana, calendário, quem contatar, 1 risco.
Pesquisa de GTD: três semanas sem weekly e o sistema desmonta. Não é exagero — é diagnóstico. O agente manda lembrete sexta 17h, no seu fuso, e abre o chat com a Parte 1 pronta.
Semana 13 — Quarterly review
Retrospectiva séria. Cada KR ganha um score 0.0 a 1.0:
- 0.7+ continua no próximo ciclo (talvez ampliado)
- 0.3 a 0.7 refina (cortou ou aumentou demais o alvo?)
- < 0.3 mata, sem culpa — alvo errado ou âncora errada
O agente compara os 12 weeklies entre si, mostra padrões (ex.: "você marcou MATAR no vetor capital 5 das 12 semanas — vale revisitar o OKR?"). Você sai com o OKR do próximo trimestre antes da semana 13 fechar.
Por que 90 dias funciona
Três motivos com pesquisa:
- Doerr / OKR (1999): tempo curto força priorização. Quando você tem 12 meses, tudo é prioridade. Quando você tem 90 dias, só cabem 2 ou 3.
- Allen / GTD (2001) (📖): cadência semanal mantém o sistema vivo. Mensal não basta — você esquece o que decidiu há 4 semanas. Diária é overkill.
- Ericsson / prática deliberada (📖 Direto ao Ponto): melhoria mensurável precisa de feedback frequente. AAR semanal é o ciclo curto de feedback aplicado a você mesmo.
Junte os três e você tem o esqueleto. O agente segura o ritmo; você executa.
E se você falhar 3 weeklies seguidos?
O agente fala. Sem julgamento, com diagnóstico: a maioria dos fracassos de OKR começa com 2–3 weeklies pulados em sequência. Você ganha duas opções: refinar o OKR (talvez estava grande demais) ou revisitar a âncora (talvez o OKR não bate com quem você é).
Carreira é tese. Tese precisa de cadência. 90 dias é a janela onde o método cabe — e onde o agente faz o trabalho que você não quer fazer sozinho.